slut

 

No inicio do ano passado, após vários casos de estupro ocorridos na Universidade de Toronto, Canadá, o policial Michael Sanguinetti teve a infeliz ideia de pedir às mulheres que não se vestissem como sluts (vadias) para que não fossem vitimas de agressões sexuais.

Foi ai que nasceu a Slutwalk (Marcha das Vadias). O protesto começou em Toronto e se espalhou rapidamente pelo mundo.

Milhares de mulheres do Canadá, Los Angeles, Boston, São Paulo, Buenos Aires e várias outras cidades saíram as ruas vestidas com poucas peças de roupas e vários cartazes em punho com frases como: Slut Proud, I’m a Slut, I’m asking for respect e etc.

A impressão que fica é que esse protesto trata apenas de uma questão feminista contra o machismo, mas o estupro é um crime hediondo que nada tem a ver com o gênero ou o sexo ou a forma como você se veste.

Até os anos 70, quando as mulheres sofriam alguma agressão sexual, precisavam provar perante a lei que haviam resistido contra o ato sexual e era levada em consideração para o julgamento do caso a quantidade de parceiros sexuais da vitima e a forma como ela estava vestida.
Essa ideia de que os crimes eram provacados pelas vitimas deveria ter morrido há 40 anos, que era absurda, porém justificável devida a total ignorância dos fatos científicos na época em questão.

Hoje já sabemos que os estupradores sofrem de um transtorno psicológico, a psicopatia.
Psicopatas podem ser homens ou mulheres, em nenhuma das descobertas feitas até hoje puderam indicar fatores que determinassem um padrão para o reconhecimento destes criminosos.
No entanto sabemos que a maioria deles viveu durante a infância e/ ou a adolescencia algum tipo de agressão sexual, dentro de casa e causada por familiares e pessoas próximas às famílias.

Grande parte dos estupradores também sofre de alguma disfunção sexual, como a impotência.
Não existe também nenhum padrão que facilite a descoberta dos principais alvos em potencial para um estupro, já que as vitimas variam de bebes a idosos de 99 anos, estão em todas as classes sociais e não obedecem a nenhuma padronagem física, intelectual ou comportamental.

 

 

Segue uma lista feita pelo site da Roger Williams University com algumas verdades e mitos sobre o estupro:
*Atenção especial para o quarto item da lista.

Mito 1: Estupro é causado pela luxúria ou incontrolável desejo sexual e pela necessidade de satisfação/gratificação sexual.
Verdade 1: Estupro é um ato de violência física e dominação que não é motivado pela necessidade de satisfação ou gratificação sexual.

Mito 2: Uma vez que o homem fica sexualmente excitado, ele não pode simplesmente parar.
Verdade 2: Homens não precisam praticar sexo após ficarem excitados. Além do mais, o controle próprio não depende ou fica diminuído em virtude da excitação sexual.

Mito 3: Mulheres frequentemente mentem sobre estupro ou falsamente acusam alguém disto.
Verdade 3: Estatisticamente falando, relatórios demonstram que falsas acusações representam 2% ou menos nos casos de notificação de violência sexual. Isto é similar aos outros crimes. Acredita-se, ainda, que apenas 1 a cada 10 estupros são realmente denunciados; sendo que agressões onde  a pessoa conhece o autor são as menos prováveis de denúncia.

Mito 4: Mulheres podem provocar uma agressão sexual graças a sua aparência, sendo que o fato dela ser atraente/sexy a primeira premissa na escolha de vítima de um estuprador.
Verdade 4: Estupradores não selecionam as suas vítimas pela aparência. Em verdade, a escolha parte do grau de vulnerabilidade e acessibilidade. Basta notar que as vítimas destes crimes possuem uma faixa etária ampla  – variando de crianças a idosos. Portanto, a atratividade sexual não é um problema.

Mito 5: A violência sexual é um tema que só diz respeito as mulheres, não havendo motivos de preocupação para homens.
Verdade 5: De acordo com recentes estatísticas do Crisis Center Statistics, homens, independente de sua orientação sexual, sofreram 10% das agressões sexuais relatadas nos Estados Unidos no ano passado. Além disso, os homens têm esposas, amigas, irmãs, mães e filhas que podem um dia precisar de ajuda para lidar com a violência sexual. O estupro é uma preocupação de todos.

Mito 6: Se uma mulher não deseja ser abusada sexualmente, ela pode lutar contra o agressor.
Verdade 6: Mesmo que o agressor não esteja carregando uma arma, o elemento da surpresa, o choque, o medo ou mesmo a ameaça de dano pode dominar uma pessoa.
No final das contas a Marcha das Vadias, como um movimento para a liberdade de ser quem se é pode até fazer sentido para varias coisas, exceto para a prevenção de agressões sexuais.

E cá entre nós, vamos concordar que esse “feminismo” todo é bastante machista e retrogrado.

 

 

*Texto originalmente ecrito para o blog www.rebecagalabarof.com