Vim preencher mais um “Conversas com Natália” com a minha opinião sobre a Marcha das vadias e reparei que já tinham comentado sobre. Enfim, vou falar do mesmo jeito, porque NECESSITO falar minha opinião sobre o movimento.

Tudo bem, eu sei que o nome se deve a um episódio infeliz no Canadá, no qual um policial disse que as mulheres deveriam parar de se vestir como vadias para evitar estupros. Daí nasceu o “Slut walk” em 2011, traduzido rigorosamente como Marcha das vadias no português.

Odiei o nome. Não estamos no Canadá, e mesmo se estivéssemos, é uma questão estratégica. Compreendendo a origem do nome, temos a oportunidade de saber que ele é irônico, fazendo referência ao comentário do oficial. Mas, raciocinem com a Natinha aqui: você leva a sério um movimento com esse nome? Melhor, você gostou desse nome de primeira sem saber da explicação dele?

Sabe o que eu imagino? Uma avó qualquer por aí vendo uma ação com esse nome na televisão ficando horrorizada. Eu também ficaria e imaginaria mil coisas. Perde a seriedade, sabe? E isso só as prejudica. Colocar um nome desse tipo só faz a primeira impressão se limitar a ideia do direito de dar o cu e a buceta em paz, e o movimento é mais do que isso, com a questão do respeito, igualdade, etc. Sim, eu concordo que todos deveriam poder vestir-se de qualquer jeito sem correr o perigo de ser atacada/o por um velho pauzudo tarado, mas gente, é uma questão que vai além disso. Poder se vestir assim você pode, mas é feio, porra. Feio, digo, visualmente, e não comportamentalmente.

Vivemos em sociedade. Você não vai a uma reunião de negócios de calcinha ou cueca. Você vai com uma roupa adequada. Por que? Porque é feio. Quer sair por aí seminua? Ok, mas você está passando vergonha. Não por eu te achar uma prostituta, mas por achar brega mesmo. Focaram na roupa. Item errado. Mesmo porque um dos focos também é poder dormir com quem quiser sem ser criticado, mas vamos combinar, isso é “feio” até com homem.

É muito fácil falar e defender a atitude de moderninho liberal, mas eu simplesmente não consigo levar a sério um homem que sai por aí comendo todas e trata as pessoas como objetos. Acredito que os homens tenham a mesma opinião. É claro que para mulheres, sim, ainda é muito difícil ter o direito de ficar com um número parecido de pessoas como um homem fica sem ser criticado, sem ser crucificadas, mas vamos maneirar, os dois, homens e mulheres. Moderação é sexy.

Taí, eu apoio a sociedade de pessoas “moderadas”, que tem SIM, seus rolos, mas que não saem por aí todo dia como se fosse a noite da pirocada. Agora, é ÓBVIO que se a mulher quiser se expor, sair de fio dental, shortinho no cu, de patati patatá ou seja lá do que for, ninguém tem o direito de tentar abusá-la sexualmente. Nem em sonho. Respeito SEMPRE, seja com qual roupa for. Ela só é brega, não quer te dar. Vista-se como quiser, mas se for feio, eu vou ter que falar.

O movimento seria muito menos criticado e teria muito mais sentido se tivesse um nome como “Marcha do respeito à mulher”, “Marcha do direito de ser quem eu sou”, sei lá. Mas, vadia? Me desculpem, mas pra mim o único “vadia” que se aplica ao nome desse movimento é aquele literal, da vadia e do vadio que não fazem porra nenhuma da vida:

Dicionário informal: “Aquele que não trabalha, vagabundo, vadio”.

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Por @Nataliaporra