O tal do P.A. é um fenômeno relativamente recente. Faz pouquíssmas décadas que uma mulher pode se dar ao luxo de transar com um amigo e este permanecer como tal, sem ter que ascender ao posto de namorado ou qualquer outra função que não seja essa: a de um amigo. Com quem se transa ocasionalmente. Oquêi.

1. Introduzindo (ui!)

Dicionário @lemonndrop de definições:

P.A.:
(sigla: pau amigo
subs. masculino)
1. sigla do Estado do Pará;
2. um pau bem diliça nas horas de carência quando estamos solteiras (se não, é amante), e um amigo muito bacana e mente aberta no dia-a-dia
sinônimos: FB (do inglês “fuck buddy”) e FF (do inglês “fuck friend”)

Era pra ser simples e descomplicado assim. Ele não é seu rolo, porque vocês não têm ares de namoro. Ele não é seu ficante, não é seu peguete, não é um cara casado, não é um cretino qualquer que acha que tá te comendo só porque você é tolinha. Um pau-amigo é aquele cara gente boa que te come quando vocês dois estão afim (e, acredite: em 95% das vezes que você tiver afim, ele vai topar). Um bom P.A vai saber distinguir muito bem as suas intenções sexuais de intenções de um relacionamento sério, o que é crucial para que todos sejam felizes nessa história. Se você é mulher e sabe que o rapaz tem uma queda por você, mas você não tem a mesma vibe, ele não serve pra ser seu P.A. Iludir uma pessoa que nutre sentimentos reais por você é coisa de gente sem caráter. Se você tem uma paixonite pelo cara e ele não te dá muita bola é pior ainda, pois dá espaço pra qualquer folgado se aproveitar. O P.A é aquele cara que é maduro o suficiente pra compreender seus desejos –e compartilhar dos mesmos– sem te julgar, sem perder o respeito, sem perder a amizade. Ele sabe que pode se divertir com você, numa roda de amigos no bar ou entre quatro paredes. E, principalmente, ele sabe te comer muuuuiiiito bem ;}

2. Selecionando os melhores tomates da feira

Como eu disse acima, arrumar o amigo ideal é um passo essencial nessa empreitada. Se as coisas derem erradas, existem três possíveis e indesejáveis cenários:
1- você pode ter um P.A apaixonadinho no seu pé, sendo que você não tá afim de nada mais que sexo;
2- o inverso: você pode se apaixonar pelo cara, que só quer se divertir na paz com você, e;
3- o cara ser um babaca que vai sair por aí espalhando o segredinho pra todo mundo, te pintando de “vadia” e espalhando suas intimidades por aí.

Para que um P.A vingue, existem basicamente duas fórmulas seguras: ou você pega um rolo já existente e puxa mais pra amizade, saindo da zona do “namoro-ou-nada”; ou escolhe um amigo, daquele tipo que você acha uma gracinha e saem faíscas quando vocês conversam, e joga sua varinha de pescar em direção a ele. Se você preferir colocar o A em algum P, é melhor escolher aqueles que não tem muito grude, ou que já te tratam meio que na broderagem. Se você preferir colocar o P no A, prefira os heteros, descomprometidos, descomplicados e, obviamente, super sexies.

3. Colocando o P no A (no bom sentido!!)

Esse passo é engenhoso, mas relativamente simples. Na roda de amigos, uma meia dúzia de olhares mais intensos pro tomate maduro já bastam. Se a noitada estiver no zero-a-zero para os dois, é só dar uma de Joãozinho-sem-braço e jogar um chamego caliente, do tipo “aiii, mas logo hoje que eu não queria dormir sozinhaaaa *piscadinha piscadinha*”, equanto deita a cabeça no ombro dele. Quando eu era solteira, jogava um verde na moral MESMO, mas existem moças mais discretas. Cada uma sabe do xaveco que lhe apetece, esse foi só um exemplo. Vocês sugerem mais algum, meninas?
A mensagem geral é: ofereça-se. E esqueça que, na época da sua vó, “oferecida” era xingamento. O rapaz precisa saber que você tá afim, para que ele possa fazer movimentos seguros pro seu lado. Na hora que seu alvo-amigo perceber que você tá se pavoneando pro lado dele, ele vai fazer o papel de macho dele, se ele tiver vontade. Bom, isso se ele não for daquele tipo bundão que, mesmo afim, não chega na menina a menos que ela dance can-can sem calcinha na frente dele. Se ele for minimamente esperto, morde sua isca fácil.

4. Da arte de esclarecer

Antes que seu amigo pense que você está apaixonada, ou que seu rolo ache que você só quer amizade com ele, deixe suas intenções bem claras. Não precisa de uma DR de 49 minutos olhando nos olhos pra passar a mensagem, apenas dê a entender que o sexo foi ótimo, mas você prefere continuar amiga… com sexo esporádico. A intenção aqui é ser feliz sem compromisso, sem pesos ou cobranças, sem ligações ou SMS com “brincadeiras” de ciuminho, sem ficar fuçando o Facebook dele pra descobrir quem é aquela gostosa que ele adicionou semana passada. Se for pra ficar encanada, prefira ser solteira.
Regra de ouro: Se a DR surgir, do PA deves fugir. Se você sentir que possui algum direito sobre ele, ou que precisa discutir algum tipo de sentimento de insegurança com ele, é porque foi fisgada pela poção mágica que os anciões chineses chamam de Chá de Minhapika. Daí cê foge, amiga. Mas foge MESMO, porque P.A só funciona com leveza, sinceridade, coerência e tesão mútuo.

5. Precauções e reações adversas

Existem três cuidados maiores:
1- Manter a amizade em primeiro lugar;
2- Os dois manterem o mesmo sentimento (ou ambos não querem nada, ou os dois querem algo), e;
3- Ter mais de um P.A.

O primeiro item creio ser de suma importância porque é imaturidade perder um companheiro por causa de sexo. Pau você acha em toda esquina, amigo não.
O segundo item é crucial para que o “casal” mantenha a sintonia. É fácil confundir as coisas quando o papo flui e o sexo é bom. Excelentes relações podem surgir de uma relação entre P.A’s e B.A’s (bocetas amigas) mas, para tal, o sentimento há de vir de ambas as partes, senão alguém sempre acaba sofrendo. É por isso que citei o item 3: a partir do momento em que o P.A se torna sua única opção de maneira rotineira, bastam dois palitos para sua cabecinha ficar confusa e dar uma de Julieta carente. Esse papel de ter ciúme, carência e cobranças não é digno de uma B.A bem resolvida.

Conclusão

Ter um P.A exige discernimento, delicadeza e honestidade, mas não existem regras fixas. Tem aquele P.A que te trata como irmã até o momento de enfiar a língua na sua garganta. Tem aquele P.A. fofo e gentil, meio “namoradinho” quando não tem ninguém olhando; e tem aquele oposto que te bate na cara e te chama de puta entre quatro paredes, mas depois te dá carona e te empresta crédito no celular pra você mandar msg pro seu rolinho. A relação precisa se manter nos trilhos da sinceridade apenas para que vocês mantenham a mesma sintonia. Regra de ouro II: Moleques não servem pra esse tipo de relação delicada, P.A é um outro nivel de cumplicidade e intimidade que é etéreo entre a sólida amizade e um envolvente –mas delicioso– affair. Fica a critério de cada um decidir o que fazer e como lidar com a situação.

*Esse artigo é uma contribuição da nossa amiga e leitora Bel, @lemonndrop.