É revoltante como muitas mulheres gostosas esquecem de utilizar sabiamente as dádivas naturais que Deus lhes deu. Esses dias eu estava na praia com alguns amigos e comentei com meu namorado o quanto a ex dele, que também estava por ali, era gostosa. Magrinha do quadril largo, coxuda, branquela e cabelão preto; se eu fosse dessas meninas neuróticas, certamente detestaria o fato de meu namorado já ter comido a beldade. Entretanto, essas inseguranças não fazem parte do meu repertório, e eu não apenas aceito a presença dela de forma tranquila quanto converso com ela. E ainda chamo de gostosa.
Porém, qual não foi minha surpresa quando meu bem-querer me relatou que o lance com ela não durou muito justamente porque o sexo não era grandes coisas. Fiquei pasma. Até mesmo eu, do alto da minha heterossexualidade (caham, caham), ficaria feliz em agarrar aqueles quadris e arrancar no dente os lacinhos do biquíni dela. Daí ele me explicou:
– Não que ela seja frígida mas… não dá pra saber direito se ela tá gostando muito do que cê tá fazendo. Ela não rebola, que nem você faz, sabe?

Internamente, meu ego de rainha sexual inflou-se, expandiu-se e transbordou pelos meus lábios num sorrisinho sacana. A ex pode até ser mais gostosa, tudo bem, isso aí é um recurso natural com o qual ela teve a sorte de nascer com. Mas eu, minha cara, sei rebolar.

Depois desse papo sobre o rebolation fiquei matutando sobre porque ela foi dispensada por não rebolar. O movimento dos quadris, minhas amigas, é uma das nossas grandes armas no sexo. Antes do ato em si, quando caminhamos levando-os de um lado ao outro, ou quando dançamos, estamos (paradoxalmente) mostrando o quanto estamos escondendo. O quanto mais essa mulher rebola, sem essa calça jeans, sem esse vestido? O quanto mais ela rebola se eu providenciar um mastro pra ela fazer um pole dance? Antes do sexo, o quadril é provocativo.

Entretanto, durante o sexo, o vai e vem de seus quadris é algo decisivo. Durante os amassos, se você der umas quadrizadas na virilha do cara, certamente receberá em troca um apertão e um pega nervoso bem dado. Na meletança, esteja por cima, por baixo, de quatro, de ladinho: rebolar é tão vital quanto gemer. Se existe uma única coisa que aquelas potrancas vulgares do funk me ensinaram, foi como rebolar durante o sexo.

O rebolado demonstra a entrega sexual, o prazer, a vontade de meter até cansar, o tesão, a fome, o desejo de satisfazer o outro. Não é a toa que ele está presente em tantas músicas de letras safadinhas. É uma pena que muita mulher gostosa por aí ache que simplesmente abrir as pernas basta. Rebolation é bom, amiga. Mexe a cadeira, faz a dança da bundinha, shake you ass, put that booty movin’ e faz seu homem feliz na cama, ordinária!